Um caso que chocou a Austrália e ganhou repercussão mundial envolve Erin Patterson, uma mulher de 50 anos da cidade de Leongatha, no estado de Vitória, acusada de ter servido cogumelos venenosos durante um almoço familiar, resultando na morte de três pessoas e deixando duas outras em estado crítico.
O que aconteceu
No dia 29 de julho de 2023, Erin Patterson organizou um almoço em sua residência em Leongatha, uma cidade rural localizada a cerca de 135 quilômetros de Melbourne. Entre os convidados estavam seu sogro Don Patterson (70 anos), sua sogra Gail Patterson (70 anos) e o casal Ian Wilkinson (68 anos) e Heather Wilkinson (66 anos), que era irmã de Gail.
Após o almoço, todos os quatro convidados apresentaram sinais de envenenamento grave e foram hospitalizados. Don Patterson e Gail Patterson faleceram nos dias 4 e 5 de agosto, respectivamente. Ian Wilkinson também veio a óbito em 31 de agosto. Heather Wilkinson sobreviveu, mas passou por um período prolongado de recuperação, incluindo um transplante de fígado.
Os cogumelos
Segundo as autoridades, o prato servido continha cogumelos do gênero Cortinarius, conhecidos como "death cap" (chapéu da morte) ou "destroying angel" (anjo destruidor) em inglês. Essas são algumas das espécies de cogumelos mais venenosas do mundo. O principal toxina encontrada nesses cogumelos é a amatoxina, que provoca insuficiência hepática aguda e pode ser fatal mesmo em pequenas quantidades.
O período entre a ingestão e o aparecimento dos sintomas pode variar de 6 a 24 horas, o que dificulta o diagnóstico precoce. Os sintomas iniciais incluem náuseas, vômitos e dores abdominais, seguidos por uma aparente melhoria antes do agravamento do quadro com insuficiência hepática e renal.
As acusações
Erin Patterson foi presa em 5 de agosto de 2023 e enfrenta as seguintes acusações:
- Três acusações de homicídio pela morte de Don Patterson, Gail Patterson e Ian Wilkinson
- Duas acusações de tentativa de assassinato pela tentativa de matar Heather Wilkinson e outra pessoa que havia comparecido ao almoço mas não ficou doente
Patterson nega as acusações, afirmando que o prato continha cogumelos comprados em um supermercado e que não tinha intenção de machucar ninguém. Segundo seu advogado, ela própria também ficou doente após o almoço e foi hospitalizada.
O contexto familiar
Relatórios indicam que existiam tensões familiares prévias entre Erin Patterson e seus sogros. O casamento de Erin com Simon Patterson, filho de Don e Gail, estava em processo de separação. Além disso, havia disputas relacionadas a questões financeiras e à guarda dos filhos do casal.
A Promotoria alega que Erin Patterson planejou o ataque com antecedência, pesquisando sobre cogumelos venenosos na internet e visitando áreas onde esses cogumelos crescem naturalmente. No entanto, a defesa argumenta que as buscas online eram apenas por curiosidade e que os cogumelos poderiam ter sido contaminados acidentalmente.
Repercussão e julgamento
O caso gerou enorme repercussão na mídia australiana e internacional. O julgamento de Erin Patterson começou em março de 2024, no Tribunal de Circuito de Morwell, em Vitória. O processo tem atraído cobertura extensa de jornais e redes de televisão de todo o país.
O caso também revitalizou o debate público sobre segurança alimentar e o reconhecimento de cogumelos silvestres na Austrália, onde muitas espécies venenosas crescem em áreas florestais e parques urbanos. Especialistas em micologia reforçaram a importância de não consumir cogumelos coletados na natureza sem conhecimento adequado.