Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) em parceria com instituições internacionais sugere que a folha da árvore Euterpe precatoria, comum na Amazônia e conhecida por ser uma espécie de açaí, pode ser uma alternativa sustentável e eficaz ao uso do mercúrio em garimpos artesanais de ouro na região.
O mercúrio é amplamente utilizado na extração artesanal de ouro para amalgamar as partículas metálicas, mas sua toxidez causa sérios danos à saúde dos garimpeiros e à biodiversidade dos rios amazônicos, contaminando peixes e a água consumida por comunidades ribeirinhas.
Como funciona o processo?
De acordo com o estudo, publicado em revista científica internacional, os pesquisadores desenvolveram um processo que utiliza um extrato concentrado das folhas da Euterpe precatoria. Este extrato contém compostos naturais, como taninos e flavonoides, que possuem a capacidade de reduzir o ouro presente em cascalho e sedimentos, formando amalgamas seguros que podem ser coletados sem o uso de metais pesados.
- Extração do Composto: As folhas são coletadas de forma sustentável, secas e processadas para obter um extrato líquido.
- Aplicação no Garimpo: O extrato é adicionado diretamente ao barranco ou a água utilizada na lavagem. Ele se liga às partículas de ouro.
- Coleta Segura: O ouro "capturado" pelo extrato pode ser separado mecanicamente, sem deixar resíduos tóxicos no meio ambiente.
Vantagens Apontadas pelo Estudo
Os pesquisadores destacam several vantagens dessa abordagem:
- Redução da Poluição: Elimina a引入ção direta de mercúrio nos ecossistemas fluviais.
- Saúde dos Garimpeiros: Remove o risco de intoxicação crônica por vapores e contato com o metal.
- Sustentabilidade: Utiliza uma matéria-prima renovável e nativa da região, incentivando a conservação da floresta em pé.
- Custo-Benefício: O processo inicial requer investimento menor em equipamentos复杂os comparado à retomada de áreas contaminadas.
Desafios e Próximos Passos
A尽管 os resultados são promissores, o estudo reconhece desafios. A escala de produção do extrato para atender à demanda de grandes áreas de garimpo precisa ser otimizada. Além disso, são necessários mais testes em campo para validar a eficiência em diferentes tipos de sedimentos e condições da Amazônia.
O projeto busca agora parcerias com órgãos de governo como o IBAMA e o INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) para financiar estudos complementares e, eventualmente, desenvolver um protocolo técnico acessível para os garimpeiros artesanais, muitos dos quais vivem na linha da pobreza e dependem da extração de ouro para seu sustento.