Em 6 de novembro de 2023, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, realizaram uma conversa por telefone sobre a possibilidade de implementar pausas táticas na guerra entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza. A ligação aconteceu em meio à crescente pressão internacional para a redução dos ataques militares israelenses e a facilitação da entrada de ajuda humanitária no território palestino.
Contexto do conflito
O Hamas, grupo que controla a Faixa de Gaza, lançou um ataque surpresa contra Israel em 7 de outubro de 2023, resultando na morte de aproximadamente 1.200 pessoas e no sequestro de mais de 200 reféns. Em resposta, Israel declarou guerra ao Hamas e iniciou uma intensa campanha de bombardeios aéreos seguida de uma ofensiva terrestre em Gaza.
Até o início de novembro de 2023, os bombardeios israelenses haviam causado a morte de mais de 10.000 pessoas em Gaza, segundo o Ministério da Saúde local, incluindo um número significativo de civis, mulheres e crianças. A situação humanitária em Gaza deteriorou-se rapidamente, com escassez de água, combustível, alimentos e medicamentos.
O que foram as pausas táticas propostas
As pausas táticas, também chamadas de "cessfires humanitários", consistiam em interrupções temporárias e localizadas das operações militares, projetadas para permitir:
- A entrada de caminhões de ajuda humanitária (alimentos, água, medicamentos e combustível) em Gaza
- A evacuação segura de civis das áreas de combate
- A libertação de reféns mantidos pelo Hamas
- O restabelecimento parcial de serviços essenciais, como funcionamento de hospitais
Posições dos EUA e de Israel
Joe Biden defendeu publicamente a ideia de pausas táticas, argumentando que seria necessário proteger a vida de civis inocentes e garantir a chegada de assistência humanitária. No entanto, Biden reafirmou o direito de Israel à autodefesa e seu apoio ao aliado estratégico na região.
Benjamin Netanyahu, por sua vez, mostrou resistência a qualquer cessar-fogo que não incluísse a libertação total dos reféns. O governo israelense argumentava que pausas prolongadas beneficiariam o Hamas, permitindo ao grupo reagrupar e rearmar. Netanyahu destacou que Israel continuaria suas operações até destruir a capacidade militar do Hamas.
Reação internacional
A comunidade internacional, incluindo a Organização das Nações Unidas (ONU), diversas organizações humanitárias e vários governos, intensificou os apelos por um cessar-fogo imediato. Países como França, Alemanha, Reino Unido e nações árabes pressionavam por uma redução das hostilidades e pelo respeito ao direito internacional humanitário.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que Gaza estava se tornando "um cemitério para crianças" e pediu uma trégua imediata. No entanto, os Estados Unidos utilizaram seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU para bloquear resoluções que exigiam um cessar-fogo integral.
Desdobramentos
Após a conversa entre Biden e Netanyahu, Israel concordou em implementar breves pausas diárias de quatro horas em determinadas áreas de Gaza para permitir a evacuação de civis pelo corredor humanitário da Via Salah al-Din. Essas pausas, no entanto, foram consideradas insuficientes por organizações humanitárias e governos que clamavam por um cessar-fogo mais abrangente.
O tema das pausas táticas continuou a ser um ponto de negociação nas semanas seguintes, com mediação do Catar e do Egito, eventualmente levando a um acordo temporário de cessar-fogo em 24 de novembro de 2023, que resultou na libertação de parte dos reféns em troca de prisioneiros palestinos.