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Na Islândia, mais de mil tremores de terra em um dia alertam para possível erupção vulcância; resort em lagoa de águas termais suspende atividade

A Islândia viveu nos últimos dias um dos episódios de maior atividade sísmica já registrados no país nórdico. Em apenas 24 horas, mais de mil tremores de terra foram detectados pela rede de monitoramento sísmico islandesa, gerando alertas sobre uma possível erupção vulcânica na região da península de Reykjanes, a sudoeste de Reykjavik.

O intenso surto sísmico, com magnitudes variando entre 0,5 e 5,4 na escala de Richter, é interpretado por geólogos como sinal de movimentação de magma abaixo da superfície. Aproximadamente 4.000 moradores da cidade costeira de Grindavík foram orientados a evacuar como medida preventiva, diante do risco real de uma erupção vulcânica nas próximas horas ou dias.

Resort em lagoa de águas termais suspende operações

O famoso resort de águas termais Blue Lagoon, um dos maiores pontos turísticos da Islândia e que atrai centenas de milhares de visitantes por ano, anunciou a suspensão temporária de suas atividades. A decisão foi tomada após os especialistas do Instituto Meteorológico Islandês (IMO) elevar o nível de alerta para a região, indicando uma probabilidade significativa de erupção nos arredores da lagoa geotermal.

A Blue Lagoon, localizada a cerca de 50 quilômetros de Reykjavik, é construída sobre uma zona de intensa atividade vulcânica e geotermal. Apesar de toda a infraestrutura projetada para conviver com a dinâmica geológica islandesa, a escala dos tremores atuais levou a administração do resort a priorizar a segurança dos hóspedes e funcionários.

Contexto geológico

A Islândia está situada sobre a dorsal mesoatlântica, a divisa entre as placas tectônicas norte-americana e eurasiana, o que torna o país um dos mais vulcanicamente ativos do mundo. A península de Reykjanes, em particular, entrou em um período de atividade vulcânica renovada em 2021, após quase 800 anos de relativa calma. Erupções ocorreram em 2021, 2022 e 2023 na mesma região, alimentando o magma que sobe pelo sistema de fraturamento do rift.

Os cientistas islandeses explicam que o atual surto de milhares de tremores é causado pela intrusão de magma em uma câmara subterrânea rasa, o que deforma a crosta terrestre e gera a sequência de abalos. Se o magma romper a superfície, a erupção poderia ocorrer tanto em terra quanto subaquática, com potencial impacto na comunidade de Grindavík e nas rotas aéreas que cruzam o Atlântico Norte.

Alertas e preparação

As autoridades islandesas ativaram planos de emergência e reforçaram o monitoramento com sensores adicionais de deformação do solo, câmeras térmicas e medições de gás vulcânico. O IMO mantém avaliações contínuas e afirma que a situação pode evoluir rapidamente. A população local foi orientada a manter contato com os canais oficiais de comunicação e a seguir as orientações das equipes de proteção civil.

A Islândia possui um sistema de monitoramento vulcânico entre os mais avançados do mundo, fruto de décadas de convivência com a atividade geológica. O país passou por erupções significativas nos últimos anos, incluindo a explosão do vulcão Eyjafjallajökull em 2010, que interrompeu o tráfego aéreo europeu por semanas.

Este episódio reforça a vulnerabilidade inerente à geografia islandesa e a importância dos sistemas de alerta precoce para a proteção da população e do turismo, setor vital para a economia do país nórdico.