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Javier Milei e Sergio Massa debatem pela última vez antes das eleições na Argentina

Javier Milei e Sergio Massa durante debate presidencial na Argentina

Javier Milei, candidato pela coalizão La Libertad Avanza, e Sergio Massa, representante da Unión por la Patria e atual ministro da Economia da Argentina, realizaram na noite de domingo, 12 de novembro de 2023, o último debate presidencial antes do segundo turno das eleições argentinas. O encontro televisionado foi marcado por trocas acirradas sobre economia, política externa e o futuro institucional do país sul-americano.

O contexto da disputa eleitoral

A Argentina enfrentava no final de 2023 uma das crises econômicas mais severas de sua história recente. A inflação anual ultrapassava 140%, a pobreza atingia cerca de 40% da população e o controle cambial gerava incertezas no mercado financeiro. Nessas condições, o segundo turno opunha dois projetos diametralmente opostos para o país.

Sergio Massa, que havia vencido no primeiro turno com cerca de 36% dos votos, defendia a continuidade de um modelo de Estado presente, com políticas de proteção social e negociação diplomática multilateral. Javier Milei, que terminou em segundo lugar com aproximadamente 30%, propunha uma reforma radical: redução drástica do tamanho do Estado, dolarização da economia e afastamento de blocos como o Mercosul em favor de alianças com os Estados Unidos e Israel.

Os principais pontos do debate

Economia: A questão econômica dominou as trocas entre os dois candidatos. Massa atacou o plano de dolarização de Milei, argumentando que a medida provocaria uma catástrofe social e eliminaria a capacidade do Banco Central de conduzir política monetária. Milei, por sua vez, insistiu que o sistema monetário argentino estava falido e que a inflação só seria controlada com uma âncora externa firme. O libertário também propôs a redução de ministérios de 18 para 8 e a eliminação de several agências reguladoras.

Política externa: Outro ponto de divergência foi a inserção internacional da Argentina. Massa criticou a proposta de Milei de romper relações comerciais com a China e o Brasil, os dois maiores parceiros comerciais argentinos. O candidato peronista argumentou que a Argentina não podia prescindir de seus mercados de exportação mais importantes. Milei rebateu afirmando que a diplomacia deveria priorizar valores ideológicos e que as relações com regimes autoritários não beneficiavam o povo argentino.

Questões sociais: Massa levantou o impacto social de um eventual ajuste fiscal agressivo, citando dados sobre pobreza infantil e desemprego. Milei respondeu que as políticas de assistência do governo atual criavam dependência e que o crescimento econômico, impulsionado pela liberdade de mercado, seria a melhor ferramenta contra a pobreza.

Reações e expectativas

O debate foi assistido por milhões de argentinos e gerou intensa repercussão nas redes sociais. Analistas políticos apontaram que nenhum dos dois candidatos conseguiu uma vitória clara de desempenho, o que mantinha a corrida eleitoral como imprevisível.

As pesquisas de opinião públicas na véspera do debate mostravam Massa ligeiramente à frente, com uma diferença que variava entre 2 e 5 pontos percentuais, dentro da margem de erro de muitos levantamentos. A participação daqueles que haviam votado em branco ou nulo no primeiro turno era considerada decisiva para o resultado final.

O que estava em jogo

O segundo turno da eleição argentina de 2023 representava uma escolha entre dois modelos de país. De um lado, um projeto de centro-esquerda com traços de continuidade do governo de Alberto Fernández; de outro, uma proposta libertária e antissistema que prometia transformações estruturais sem precedentes na democracia argentina recente.

O resultado, que seria definido em 19 de novembro de 2023, teria repercussões não apenas para a Argentina, mas para toda a América Latina e para o equilíbrio geopolítico da região.

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