O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou o parque de geração térmica do país em resposta ao aumento inesperado da demanda de energia elétrica, impulsionado por uma onda de calor sem precedentes que afeta diversas regiões do Brasil. A decisão foi tomada para garantir a estabilidade do suprimento elétrico diante do consumo recorde nos horários de ponta.
A demanda por energia elétrica cresceu de forma acentuada nas últimas semanas, principalmente nas regiões Sudeste e Nordeste, onde as temperaturas acima da média elevaram o uso de aparelhos de ar condicionado e ventoinhas. Segundo o ONS, o pico de demanda no sistema interligado nacional superou a capacidade de geração hidrelétrica disponível, forçando a utilização das usinas térmicas, que têm custo de produção significativamente maior e maior emissão de gases de efeito estufa.
Analistas e especialistas em energia alertam para os impactos econômicos e ambientais dessa medida. O acionamento térmico encarece a tarifa de energia, com os custos adicionais sendo repassados aos consumidores finais por meio da Conta de Regulação de Tarifas de Energia Elétrica (CTR). Ambientalmente, a geração termoelétrica, em sua maioria baseada em combustíveis fósseis como o gás natural e o óleo combustível, aumenta a emissão de poluentes atmosféricos e contribui para o aquecimento global.
A situação destaca a vulnerabilidade do sistema elétrico brasileiro, ainda fortemente dependente de fontes hídricas, a fenômenos climáticos extremos. Especialistas recomendam acelerar a diversificação da matriz energética, com maior investimento em fontes renováveis como solar e eólica, além de programas de eficiência energética e racionalização do consumo, para mitigar os efeitos de futuras crises e reduzir a dependência de fontes poluentes e caras.
O ONS monitora a situação diariamente e avalia que, com a melhoria das condições climáticas previstas para os próximos dias, a necessidade de acionamento térmico deve diminuir. No entanto, o episódio reforça a necessidade de planejamento de longo prazo para a segurança energética do país em um cenário de mudanças climáticas.