Rússia barra candidatura de opositora de Putin nas eleições presidenciais de 2024

A Comissão Central de Eleições da Rússia rejeitou nesta sexta-feira, 22 de dezembro, a candidatura da política opositora Yekaterina Duntsova às eleições presidenciais de março de 2024. A decisão, tomada por maioria de votos, alegou a existência de "erros insuperáveis" nos documentos de registro de sua candidatura.

Duntsova, ex-deputada regional e jornalista, havia se declarado candidata ao cargo mais alto da Federação Russa com um programa que prometia a libertação de presos políticos, o fim da "operação militar especial" na Ucrânia e uma reforma constitucional. Ela se tornara um símbolo da oposição pacífica ao presidente Vladimir Putin, que busca um quinto mandato no poder.

A rejeição da candidatura de Duntsova é vista por analistas como mais um passo na consolidação do controle do Kremlin sobre o processo eleitoral. Em outubro, outro oponente proeminente, Boris Nadezhdin, teve sua candidatura suspensa por alegações de assinaturas inválidas. Outros críticos do governo, como o falecido líder opositor Alexei Navalny, estão presos ou foram impedidos de concorrer.

O pleito presidencial está previsto para os dias 15 a 17 de março de 2024. Com a ausência de uma oposição significativa nos cartões de voto, Vladimir Putin, que governa a Rússia ininterruptamente desde 1999, é amplamente esperado para vencer a eleição e permanecer no poder até, pelo menos, 2030.

O episódio reforça as preocupações internacionais com a democracia na Rússia, onde a liberdade de expressão, a imprensa e a assembleia são severamente restringidas, especialmente desde o início da guerra na Ucrânia em fevereiro de 2022.