Rondônia

Daniel Alves já deu 4 versões após acusação de estupro na Espanha; ele pode se tornar a 1ª celebridade condenada pela lei do 'só sim é sim'

O ex-futebolista brasileiro Daniel Alves, conhecido mundialmente por sua longa carreira em clubes como Barcelona, Paris Saint-Germain e Seleção Brasileira, se encontra no centro de um dos casos judiciais mais midiáticos da Espanha. Acusado de estupro de uma mulher em uma discoteca de Barcelona na madrugada de 30 de dezembro de 2022, o jogador já apresentou quatro versões diferentes sobre o que teria acontecido naquela noite.

O caso e as acusações

Segundo o relato da vítima, Daniel Alves teria forçado a mulher a manter relações sexuais no banheiro da discoteca Sutton, em Barcelona. A denúncia foi registrada imediatamente, e o ex-jogador foi preso preventivamente em janeiro de 2023, quando tentava embarcar em um voo. Desde então, ele permanece encarcerado em uma prisão espanhola, tendo tido seu pedido de liberdade condicional negado por risco de fuga.

As quatro versões de Daniel Alves

Uma das questões centrais do caso são as múltiplas e contraditórias versões apresentadas por Daniel Alves durante o inquérito policial e os interrogatórios judiciais:

  • Primeira versão: Daniel Alves negou qualquer contato sexual com a mulher, afirmando que não a conhecia e que não havia acontecido nada.
  • Segunda versão: Diante das evidências apresentadas pela acusação, incluindo imagens de câmeras de segurança, o ex-jogador passou a admitir que teria havido um encontro sexual, mas sustentou que tudo teria acontecido de forma consensual.
  • Terceira versão: Em depoimento subsequente, Daniel Alves alterou novamente sua narrativa, afirmando que o contato sexual teria ocorrido no banheiro da discoteca, mas reforçando o caráter voluntário do ato.
  • Quarta versão: Na última atualização de sua defesa, o ex-jogador apresentou detalhes adicionais que contradizem elementos das versões anteriores, gerando ainda mais dúvidas sobre a efetiva sequência de eventos daquela madrugada.

A lei do 'só sim é sim'

O caso ganha relevância ainda maior por ser julgado sob a nova legislação espanhola de consentimento sexual, conhecida popularmente como lei do "só sim é sim" (Ley del Solo Sí es Sí), que entrou em vigor em outubro de 2022. Esta lei estabelece que qualquer ato sexual sem o consentimento explícito e inequívoco da outra pessoa constitui crime, independentemente de se houve violência ou intimidação.

A legislação reformulou o sistema penal espanhol em matéria de delitos sexuais, eliminando a distinção entre "abuso sexual" e "agressão sexual" que existia no código anterior. Agora, todos os atos sem consentimento são classificados como agressão sexual, com penas que variam de quatro a doze anos de prisão, dependendo das circunstâncias agravantes.

Uma celebridade no banco dos réus

Se condenado, Daniel Alves se tornaria a primeira personalidade de notoriedade pública a ser sentenciada sob a nova lei. O caso tem atraído enorme atenção da imprensa internacional e gerado ampla discussão sobre questões de consentimento, violência contra a mulher e a responsabilidade de figuras públicas.

O ex-jogador, que acumulou títulos ao longo de mais de duas décadas de carreira, vê sua imagem e legado esportivo serem drasticamente afetados pelo processo. Vários patrocinadores romperam contratos com ele após a divulgação da acusação, e sua participação na Copa do Mundo de 2022 pelo Brasil foi encerrada de forma abrupta.

O que esperar do julgamento

O processo judicial continua em andamento no tribunal espanhol. A defesa de Daniel Alves mantém a tese de que o ato foi consensual, enquanto a acusação apresenta testemunhos, perícias e provas materiais que, segundo o Ministério Público, comprovam a ausência de consentimento. A sentença final deverá definir se o ex-jogador será condenado e qual será a pena aplicada sob os termos da lei do "só sim é sim".