O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente venezuelano Nicolás Maduro realizaram uma cúpula bilateral em Caracas em fevereiro de 2024, em meio a uma visita de Estado ao país vizinho. De acordo com informações divulgadas pelo Planalto, os dois líderes abordaram temas como as relações bilaterais, cooperação regional e a situação política na Venezuela, incluindo a questão das eleições presidenciais previstas para o ano.
Segundo o comunicado oficial divulgado pela assessoria de imprensa do governo brasileiro, Lula e Maduro discutiram a importância de que as eleições na Venezuela se realizem com transparência e em conformidade com os princípios democráticos. O tema das eleições venezuelanas tem sido objeto de atenção internacional, com diversos países e organismos multilaterais manifestando interesse na regularidade do processo eleitoral.
O que foi discutido na cúpula bilateral
Os dois presidentes trataram de assuntos econômicos e comerciais entre Brasil e Venezuela, com foco na retomada de fluxos comerciais e na cooperação em setores como energia e infraestrutura. A fronteira compartilhada entre os dois países, especialmente os estados de Roraima e Amazonas com o território venezuelano, foi igualmente tema de conversas, sobretudo no que se refere à questão migratória e ao controle de fronteiras.
A reaproximação diplomática entre Brasília e Caracas marcou o governo Lula a partir de 2023, quando o Brasil retomou relações diplomáticas plenas com a Venezuela após anos de distanciamento. A visita à capital venezuelana foi vista como um passo adicional nesse processo de reaproximação, com destaque para o dialogue regional liderado pelo Brasil no contexto da América do Sul.
A questão do Essequibo
Apesar das expectativas de analistas e da imprensa regional, o Planalto confirmou que a questão da região do Essequibo não foi abordada durante os encontros formais entre Lula e Maduro. O Essequibo é um território de aproximadamente 160 mil km² localizado ao leste da Venezuela, cuja soberania é disputada entre Venezuela e Guiana desde o século XIX.
A dispute territorial ganhou novo destaque em dezembro de 2023, quando a Venezuela realizou um referendo consultivo sobre a anexação do território disputado, gerando tensões diplomáticas na região. Países vizinhos, incluindo Brasil, acompanharam o desdobramento com atenção, em razão das implicações para a estabilidade regional e para a segurança das fronteiras.
A ausência do tema nas conversas bilaterais, conforme indicado pelo Planalto, pode refletir a posição brasileira de não se envolver diretamente na disputa territorial, mantendo uma postura de cautela diplomática e respeito aos processos de mediação internacional em curso, incluindo decisão da Justiça Internacional de Haia.
Contexto diplomático regional
A cúpula bilateral fez parte de uma agenda mais ampla de Lula na América do Sul, voltada para a retomada do dialogue regional e para a coordenação de posições em fóruns como o Mercosul, a Unasul e a Celac. O governo brasileiro tem defendido a importância do multilateralismo e do dialogue direto entre nações para a resolução de conflitos na região.
A relação entre Brasil e Venezuela passou por diferentes fases nas últimas duas décadas, com períodos de forte aproximação durante os governos do PT e momentos de distanciamento diplomático. A reaproximação iniciada em 2023 sinaliza uma nova fase nas relações bilaterais, embora temas sensíveis como a situação política interna da Venezuela e disputas territoriais permaneçam como pontos de atenção.
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