A Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) encerrou sua última reunião de cúpula sem emitir um comunicado final consensual sobre o conflito em Gaza, evidenciando a divisão entre os membros sobre como abordar a crise humanitária e os ataques de Israel ao Hamas.
Diversos líderes da região aproveitaram suas intervenções para condenar as mortes de civis, tanto israelenses quanto palestinos, e pedir uma solução pacífica para o longo litígio. O Brasil, sob o governo de Lula, foi um dos países mais vocal em suas críticas às ações de Israel.
O presidente brasileiro, na abertura da reunião, reiterou sua posição de que a resposta de Israel aos ataques do Hamas de 7 de outubro passado foi desproporcional e gerou um "genocídio" de civis palestinos. "Não pode haver paz sem que o povo palestino tenha sua terra e sua dignidade", declarou Lula, reforçando o apelo por um cessar-fogo imediato.
Outros países como Colômbia, México e Chile também compartilharam do tom crítico, destacando a necessidade urgente de assistência humanitária em Gaza e a responsabilidade internacional em proteger a população civil. A Argentina, por outro lado, sob o governo de Javier Milei, manteve uma postura mais alinhada com a posição de Israel, gerando atritos dentro do bloco.
A impossibilidade de se chegar a um consenso sobre um texto único reflete as profundas divergências geopolíticas e ideológicas dentro da Celac. Enquanto nações de esquerda tendem a ser mais simpáticas à causa palestina e críticas da política israelense, governos mais conservadores e de direita alinham-se aos interesses de Israel e dos Estados Unidos.
Apesar da falta de uma declaração unânime, o tema dominou os corredores da cúpula, realizada em KINGSTON, na Jamaica. A crise em Gaza é vista como um teste para a coesão e relevância política da Celac em um cenário internacional cada vez mais polarizado.
Especialistas apontam que a Celac tem perdido relevância em comparação com outros fóruns regionais, como a Comunidade de Estados Americanos (OEA), e que a incapacidade de produzir resultados concretos em crises como a de Gaza pode aprofundar essa percepção.
O próximo passo para o bloco pode ser a busca por uma posição comum no âmbito da ONU, onde o Brasil ocupa um assento permanente no Conselho de Segurança, para tentar pressionar por uma resolução que atenda aos anseios humanitários da região.