Com disputa entre Trump e Biden nas eleições quase definida, EUA se preparam para 'Superterça' mais previsível e esvaziada dos últimos anos

A Superterça (Super Tuesday) de 2024, considerada o dia mais decisivo do calendário eleitoral primário dos Estados Unidos, promete ser uma das mais previsíveis e menos disputadas dos últimos anos. Com as disputas internas do Partido Republicano e do Partido Democrata praticamente definidas, o foco se desloca de quem vencerá para a magnitude das vitórias e os números que cada candidato conseguirá angariar.

O que normalmente é um dia de alta tensão política, com dezenas de estados realizando suas primárias e caucus simultaneamente, agora se apresenta como uma etapa de confirmação. Donald Trump, que busca retorno à Casa Branca, acumula vitórias expressivas nos estados que já realizaram seus processos internos, enquanto Joe Biden enfrenta pouca resistência dentro do próprio partido democrata.

O que é a Superterça

A Superterça é o dia em que o maior número de estados realiza suas primárias e caucus no mesmo momento. Nesta edição, aproximadamente 15 estados e um território americano escolhem seus delegados, representando mais de um terço de todos os delegados disponíveis para a convenção de indicação de cada partido. É, essencialmente, o momento em que o mapa eleitoral das primárias se cristaliza.

Entre os estados que votam na Superterça estão Califórnia, Texas, Carolina do Norte, Virgínia, Massachusetts, Minnesota e Colorado, além deAlabama, Arkansas, Maine, Oklahoma, Tennessee, Utah, Vermont e Samoa Americana. A soma de delegados em disputa é tão grande que, matematicamente, pode encerrar qualquer possibilidade de inversão de resultado nos partidos.

Por que 2024 é diferente

Nas últimas décadas, a Superterça frequentemente serviu como campo de batalha onde múltiplos candidatos disputavam ponto a ponto, e surpresas eram comuns. Em 2016, por exemplo, a data foi marcante para Trump, mas também para concorrentes como Ted Cruz e Marco Rubio, que ainda tinham chances reais de alterar o rumo da disputa.

Em 2024, o cenário é substancialmente diferente. No lado republicano, Donald Trump já derrotou ou superou todos os principais concorrentes internos, incluindo Nikki Haley, a última adversária significativa que permanecia na corrida. No lado democrata, Joe Biden enfrenta oposição marginal, com candidatos de protesto que não representam ameaça real à sua indicação.

Especialistas políticos apontam que essa previsibilidade reflete uma crescente polarização e consolidação partidária nos Estados Unidos, onde as bases eleitorais estão cada vez mais fiéis a seus respectivos candidatos, reduzindo o espaço para surpresas nas primárias.

O que observar

Embora o resultado final já pareça determinado, analistas indicam que os eleitores e a imprensa acompanharão alguns pontos de atenção. A margem de vitória de Trump nos estados republicanos será vista como indicador de força para o pleito geral de novembro. Da mesma forma, a participação nas primárias democratas pode sinalizar o nível de engajamento da base do partido em relação à candidatura de Biden.

Questões como a taxa de comparecimento, a distribuição geográfica dos votos e o desempenho nos subúrbios — eleitores considerados decisivos nas eleições gerais — receberão atenção especial, mesmo que não alterem o resultado final da Superterça.

Os resultados oficiais começam a ser apurados à noite, horário local dos EUA, e as primeiras projeções são esperadas pouco após o fechamento das urnas nos primeiros estados a encerrar a votação.