O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, fez um apelo emocionado para que Israel desista de uma ofensiva militar em Rafah, na Faixa de Gaza, alertando para o risco iminente de mais mortes e sofrimento humanitário.
Em declarações públicas, Tedros classificou a situação como "catastrófica" e enfatizou que um ataque em grande escala à cidade de Rafah, onde milhões de deslocados palestinos buscaram refúgio, resultaria em uma "hecatombe" para a saúde pública e para a população civil.
O Apelo da OMS
Segundo o chefe da OMS, a ofensiva em Rafah não apenas agravaria a já grave crise humanitária, mas também comprometeria severamente a capacidade de resposta de organizações de ajuda. As operações de distribuição de alimentos, água, remédios e cuidados médicos básicos seriam drasticamente reduzidas ou paralisadas.
"Um ataque a Rafah significa mais mortes, mais sofrimento, mais deslocamento", declarou Tedros, acrescentando que a região não tem a infraestrutura para receber tantas pessoas em tão curto espaço de tempo. Ele reforçou que a área já está "sobrecarregada" e que um movimento militar ali seria "inaceitável do ponto de vista humanitário".
O Contexto em Rafah
A cidade de Rafah, localizada no extremo sul da Faixa de Gaza, na fronteira com o Egito, tornou-se o principal refúgio para milhões de palestinos que fugiram dos combates em outras partes da faixa. Segundo dados da ONU, mais de metade da população de Gaza, cerca de 1,9 milhão de pessoas, encontram-se deslocadas internamente, e muitas delas estão em abrigos improvisados em Rafah.
As condições sanitárias são extremamente precárias, com falta de água potável, esgoto a céu aberto e risco iminente de surtos de doenças infecciosas. A OMS tem alertado repetidamente para o colapso do sistema de saúde, com hospitais operando muito além de sua capacidade e sem suprimentos médicos básicos.
Reações Internacionais
O apelo do diretor da OMS ecoa preocupações manifestadas por diversas nações e organizações internacionais. Vários países europeus, incluindo França, Alemanha e Reino Unido, expressaram "profunda preocupação" com os planos de uma ofensiva em Rafah e pediram a todas as partes que respeitem o direito internacional humanitário.
Os Estados Unidos, principal aliado de Israel, também manifestaram reservas, com portavozes do Departamento de Estado afirmando que "não podem apoiar uma operação militar em Rafah que coloque tantos civis em risco". No entanto, enfatizaram o direito de Israel à autodefesa.
A Situação Humanitária
Segundo agências de ajuda, a crise humanitária em Gaza atingiu níveis sem precedentes. A falta de combustível está paralisando hospitais, a escassez de alimentos ameaça milhões com inanição e a destruição de infraestrutura básica tornou a vida cotidiana insustentável para a grande maioria da população.
A OMS e outras agências da ONU continuam trabalhando para fornecer assistência médica de emergência, mas as dificuldades logísticas e a restrição de acesso a zonas de combate limitam significativamente sua eficácia. Tedros reforçou que apenas um cessar-fogo imediato e irrestrito permitiria uma resposta humanitária adequada.
O mundo observa com preocupação a evolução da situação em Rafah, enquanto a comunidade internacional intensifica seus esforços diplomáticos para evitar uma escalada que poderia ter consequências devastadoras para a população civil palestina e para a estabilidade regional.