A Rússia vive o segundo dia de votação nas eleições presidenciais que se encerram no domingo, 17 de março. O presidente Vladimir Putin, no poder desde 1999, deve ser reconduzido ao cargo para mais um mandato de seis anos, que o manteria na chefia do Kremlin até 2030.
As urnas foram abertas desde sexta-feira em regiões do Leste russo, seguindo a divisão de fuso horário do país que abrange 11 fusos. Moradores de cidades como Vladivostok e Khabarovsk, no extremo oriente, já começaram a votar enquanto a capital Moscou ainda aguardava a abertura dos locais.
O pleito disputado entre quatro candidatos registrados: o próprio Putin, que concorre como independente com apoio do partido Rússia Unida; o comunista Nikolai Kharitonov; o candidato do Partido Liberal Democrático, Leonid Slutsky; e o representante do Partido Russo dos Aposentados, Vladislav Davankov. Nenhum dos três opositores é considerado uma ameaça real ao resultado, e as pesquisas de opinião apontam uma vitória folgada para o presidente em exercício.
A campanha eleitoral ocorre em um contexto geopolítico marcado pela continuidade do conflito na Ucrânia, que completa dois anos em fevereiro de 2024. A eleição também se dá em meio a sanções internacionais impostas após o início da ofensiva russa em território ucraniano, e com a oposição política significativamente reduzida no país.
O principal nome da oposição russa moderna, Alexei Navalny, faleceu em uma colônia penal no Ártico russo em 16 de fevereiro de 2024, segundo informações confirmadas pelo serviço penitenciário russo. Sua morte gerou condenação internacional e reforçou as críticas ao ambiente político russo.
As autoridades russas organizaram a votação em territórios que a Rússia passou a controlar após a anexação parcial da Ucrânia, incluindo regiões de Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson. A Ucrânia e grande parte da comunidade internacional consideram essa inclusão ilegal e contrária ao direito internacional.
Os resultados oficiais são esperados nas primeiras horas de segunda-feira, 18 de março. Com base em todos os indicadores disponíveis, Putin deve iniciar em maio de 2024 um quinto mandato presidencial — formalmente seu quarto, considerando que cumpriu um período como primeiro-ministro entre 2008 e 2012, quando Medvedev ocupou a presidência.
A reeleição permitiria que Putin permanecesse no poder até, pelo menos, 2030, quando completaria 77 anos de idade. Uma emenda constitucional aprovada em 2020 zerou seus mandatos anteriores, habilitando-o a concorrer novamente.
O contexto das sanções e o cenário internacional
As sanções ocidentais impostas à Rússia abrangem setores como finanças, energia, tecnologia e defesa. Apesar disso, a economia russa apresentou resiliência parcial em 2023, com crescimento estimado em torno de 3,6%, impulsionado pelo gasto militar e pela redirecionação do comércio para países como China e Índia.
Governos dos Estados Unidos e da União Europeia já anteciparam que não reconhecerão a legitimidade do pleito, considerando a exclusão de candidatos opositores reais e a realização da votação em territórios ucranianos ocupados.
Reações internacionais
Diversos países e organizações internacionais se manifestaram sobre o processo eleitoral. O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia classificou a eleição como "ilegítima e ilegal" nos territórios ocupados. Já governos aliados de Moscou, como os da Bielorrússia, China e Coreia do Norte, parabenizaram antecipadamente Putin pela esperada vitória.
A Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) não enviou observadores para o pleito, alegando restrições impostas pelas autoridades russas. Este é o segundo pleito presidencial consecutivo sem a presença de observadores internacionais da organização.