Um relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) divulgado em fevereiro de 2024 apontou que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) afetou de forma desproporcional as famílias de menor renda no Brasil no mês de janeiro. Segundo os dados, o poder de compra dos 10% mais pobres da população foi mais impactado pelo aumento dos preços de itens essenciais como alimentos e habitação.
O estudo destaca que a cesta de consumo da população de baixa renda tem uma ponderação maior para gastos com alimentação e moradia, setores que apresentaram alta mais acentuada no início do ano. Enquanto a inflação geral do país ficou em 0,42% em janeiro, a alta dos preços para o grupo mais vulnerável foi significativamente superior, refletindo a fragilidade da recuperação econômica para os extratos mais baixos da sociedade. Esta disparidade entre a inflação medida pelo IPCA e a percepção dos mais pobres é conhecida como inflação experimentada, que considera não apenas o índice, mas a composição real das compras de cada grupo.
Para especialistas, o dado reforça a necessidade de políticas públicas focadas no fortalecimento do poder de compra e na ampliação de programas de assistência social que protejam as famílias contra volatilidade de preços. A situação é particularmente relevante para estados como Rondônia, onde uma parcela significativa da população depende de benefícios e do comércio local. A alta nos gastos com alimentação pode comprometer a segurança alimentar de milhares de famílias, enquanto o encarecimento da habitação aumenta a vulnerabilidade em bairros periféricos.
O IPEA é uma instituição de pesquisa ligada ao Ministério da Fazenda, e seus estudos são frequentemente utilizados para orientar a formulação de políticas econômicas e sociais no país. A análise de impactos setoriais e por faixas de renda é uma de suas principais contribuições, ajudando a direcionar recursos e esforços para onde são mais necessários.
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