O ciclo de cultivo e manejo do capim em pastagens do estado de Goiás enfrenta desafios significativos neste período, resultantes de uma combinação de fatores climáticos e de manejo pecuário. A principal questão apontada por especialistas é o excesso de chuvas acumulado em algumas regiões, que se soma à sobrecarga animal nos pastos.
O excesso de precipitação atrapalha diretamente o manejo do capim. Chuvas intensas e frequentes impedem a realização de práticas essenciais, como o pastejo racional e a aplicação de fertilizantes ou corretivos. O solo encharcado dificulta o trânsito de máquinas e animais, e a umidade constante pode favorecer o desenvolvimento de doenças foliares e pragas, comprometendo a qualidade e a produtividade da forragem.
Paralelamente, a sobrecarga de animais no pasto agravou os efeitos negativos da situation climática. Em muitas propriedades, a taxa de lotação – o número de animais por hectare – ultrapassou a capacidade de suporte da pastagem neste momento delicado. Com o capim sofrendo estresse hídrico por excesso de água no solo e com seu crescimento comprometido, os bovinos acabam consumindo a planta em estágios inadequados, debilitando-a ainda mais e reduzindo sua capacidade de recuperação.
Consequências para a pecuária e o produtor
A soma desses fatores pode levar a uma série de problemas para o produtor rural. A pastagem degradada oferece menor valor nutricional, o que pode afetar o ganho de peso dos animais e a produtividade leiteira. Além disso, a necessidade de suplementação alimentar – com uso de silagem, feno ou concentrados – aumenta, encarecendo a produção. Em casos mais graves, pode ser necessário o loteamento ou a reforma integral da pastagem, gerando custos adicionais e perda de tempo.
Manejos recomendados para minimizar os impactos
Diante deste cenário, técnicos agrícolas e extensionistas sugerem uma série de medidas de curto e médio prazo:
- Redução da lotação: A remoção parcial de animais ou a alocação em pastos de descanso é fundamental para permitir que a pastagem se recupere.
- Manejo do pastejo: Adotar um pastejo rotacionado mais rigoroso, com períodos de descanso prolongados para a forragem.
- Controle de plantas daninhas: A umidade elevada favorece a competição. A aplicação de herbicidas no momento oportuno pode ser necessária para preservar o capim.
- Adubação de superfície: Em pastos menos atingidos, uma adubação de manutenção pode ajudar a recuperar a fertilidade do solo e estimular o rebrote do capim.
- Planejamento alimentar: Calcular corretamente a necessidade de suplementação para garantir a nutrição dos rebanhos sem sobrecarregar ainda mais a pastagem.
O monitoramento constante do estádio de crescimento do capim e a tomada de decisões rápidas e fundamentadas são cruciais para minimizar as perdas econômicas e garantir a sustentabilidade da atividade pecuária na região, mesmo em anos de clima desafiador como o atual.