Rondônia

Quantidade de chuva registrada em fevereiro é a maior dos últimos 33 anos em Porto Velho

A cidade de Porto Velho, capital do estado de Rondônia, registrou no mês de fevereiro a maior quantidade de chuva dos últimos 33 anos, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e estações meteorológicas locais. O volume de precipitação acumulado no período superou todos os registros observados desde o início da monitoramento contínuo na região, marcando um episódio inédito na história climática recente da cidade.

O período chuvoso em Porto Velho costuma ocorrer entre novembro e abril, coincidindo com a estação das chuvas no bioma Amazônia. Entretanto, a intensidade e a frequência das precipitações em fevereiro deste ano se destacaram de forma excepcional, acumulando volumes significativamente acima da média histórica para o mês. Essa anomalia está associada a fatores climáticos de grande escala, incluindo a temperatura anômala das águas do Oceano Pacífico Equatorial, fenômeno conhecido como El Niño, que tende a intensificar as chuvas em diversas regiões do Brasil.

As consequências do excesso de chuvas foram sentidas diretamente na população porto-velhense. Várias áreas urbanas sofreram com alagamentos, quedas de árvores, deslizamentos de terra em encostas e transtornos no trânsito. Bairros situados em regiões de várzea e margens de córregos foram os mais afetados, com relatos de casas invadidas por água e prejuízos materiais. A Defesa Civil de Porto Velho e os órgãos municipais de gestão de riscos registraram dezenas de ocorrências ao longo do mês, mobilizando equipes para atendimento e remoção de escombros.

Além dos impactos urbanos, o registro histórico de chuvas em Porto Velho também tem relevância do ponto de vista ambiental e hídrico. A elevada precipitação contribuiu para a elevação do nível do rio Madeira, principal via fluvial da região, e dos seus afluentes. O volume d'água nos mananciais que abastecem a população urbana atingiu níveis elevados, o que, por um lado, garante o suprimento de água para os próximos meses, mas por outro pode trazer riscos de enchentes em áreas ribeirinhas e de reassentamento.

Os cientistas e pesquisadores que monitoram o clima na Amazônia apontam que eventos de precipitação extrema tendem a se tornar mais frequentes em decorrência das mudanças climáticas globais. A combinação do aquecimento das águas oceânicas com o desmatamento e a degradação ambiental na Amazônia pode amplificar a intensidade dos sistemas meteorológicos que geram chuvas na região, tornando episódios como o registrado em fevereiro uma realidade cada vez mais recorrente.

A prefeitura de Porto Velho, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Meio Ambiente, reforçou a importância da manutenção das galerias pluviais e da conscientização da população sobre os riscos associados ao período chuvoso. A população é orientada a evitar áreas de risco, manter as calhas e rufos limpos e procurar abrigos seguros em situações de alerta de temporal. Os alertas meteorológicos emitidos pelo INMET e pelas defesas civis municipal e estadual devem ser acompanhados atentamente durante toda a estação das chuvas.

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