O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos proibiu todas as transações envolvendo o Banco Central da Rússia, uma medida inédita que visa congelar as reservas internacionais de Moscou e pressionar o governo russo no contexto do conflito com a Ucrânia.
O que diz a ordem do Tesouro
A determinação, emitida pela Office of Foreign Assets Control (OFAC), bloqueia qualquer transação entre instituições financeiras americanas e o Banco Central da Federação Russa. A medida impede que entidades dos EUA realizem negócios com reservas de moeda estrangeira mantidas pelo governo russo, incluindo dólares, euros e outras moedas conversíveis.
Além da proibição de transações com o Banco Central, o Tesouro estendeu sanções a dois fundos soberanos russos: o National Wealth Fund e o Russian Direct Investment Fund. Ambos passaram a integrar a lista de entidades sujeitas a restrições financeiras dos EUA.
Impacto nas reservas internacionais da Rússia
A Rússia mantinha aproximadamente US$ 630 bilhões em reservas internacionais antes do início do conflito com a Ucrânia. Cerca de metade desses ativos estava depositada em bancos centrais e instituições financeiras no exterior, incluindo nos Estados Unidos e em países europeus.
Com a imposição dessas sanções, estimativas indicam que entre US$ 300 bilhões e US$ 350 bilhões em ativos russos ficaram congelados e inacessíveis ao governo de Moscou. Essa restrição compromete diretamente a capacidade do Banco Central russo de estabilizar o rublo e financiar operações governamentais no exterior.
Reação do Banco Central da Rússia
Em resposta às sanções, o Banco Central da Rússia elevou a taxa de juros de referência de 9,5% para 20% ao ano, em tentativa de conter a desvalorização do rublo. A autoridade monetária russa também impôs controles de capital, proibindo a compra de moeda estrangeira por residentes e restringindo a transferência de divisas para o exterior.
O rublo russo sofreu uma desvalorização significativa após o anúncio das sanções, atingindo níveis historicamente baixos em relação ao dólar americano em março de 2022, antes de se estabilizar parcialmente com as medidas de controle de capital.
Contexto geopolítico
As sanções ao Banco Central fazem parte de um pacote mais amplo de medidas econômicas impostas pelos Estados Unidos e aliados europeus em resposta à invasão russa da Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022. O objetivo declarado é enfraquecer a capacidade financeira do governo russo de sustentar operações militares e pressionar Moscou a retomar o diálogo diplomático.
O G7 e a União Europeia adotaram medidas semelhantes, congelando ativos do Banco Central russo em suas jurisdições. Essa coordenação internacional marcou a primeira vez em que reservas de um banco central de grande economia foram alvo de sanções financeiras desta magnitude.
Consequências para o sistema financeiro global
A decisão de congelar reservas soberanas de um país membro permanente do Conselho de Segurança da ONU gerou debates sobre os precedentes jurídicos e os riscos para a arquitetura financeira internacional. Analistas apontam que a medida pode acelerar movimentos de países emergentes para diversificar suas reservas em ativos não vinculados ao sistema financeiro ocidental.
O sistema SWIFT também sofreu intervenções, com o desligamento de vários bancos russos da rede de comunicação financeira internacional, dificultando ainda mais as transações comerciais da Rússia com o restante do mundo.