Senado aprova pedido para acelerar votação da reforma tributária, que começará nesta quarta

Senado aprova pedido para acelerar votação da reforma tributária, que começará nesta quarta

Reforma tributária requer votação em dois turnos, com a necessidade de pelo menos 49 votos favoráveis em ambas as etapas. Requerimento aprovado elimina a necessidade de um calendário extenso, reduzindo o tempo de discussão entre os turnos. O plenário do Senado aprovou nesta terça-feira (7) um pedido que, na prática, resume e acelera a votação da reforma tributária, prevista para esta quarta (8) em plenário. O requerimento dispensa o cumprimento de prazos de tramitação.

O texto já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. Se tiver o aval do plenário, a proposta retorna à Câmara porque senadores fizeram mudanças no conteúdo da matéria.

Por ser uma proposta de emenda à Constituição (PEC), a reforma tributária precisa ser votada em dois turnos. A aprovação acontece se o projeto receber ao menos 49 votos favoráveis nas duas etapas.

O pedido para acelerar a tramitação recebeu 48 votos favoráveis (um a menos que o exigido para PEC) e 24 contrários.

O requerimento aprovado afasta a necessidade de os senadores cumprirem um calendário extenso:

  • cinco sessões de discussão da proposta em primeiro turno, em reuniões deliberativas do plenário;
  • após aprovação em primeiro turno, aguarda-se o prazo de, no mínimo, cinco dias úteis, para votação em segundo turno;
  • no intervalo entre um turno e outro, três sessões (deliberativas ordinárias) de discussão

A reforma unifica cinco impostos por meio do Imposto sobre o Valor Agregado (IVA) dual.

Ministro da Fazenda, Fernanda Haddad, prevê que a reforma tributária vai modernizar o sistema tributário brasileiro

Os novos impostos passarão a ser cobrados no destino final, onde o bem ou serviço será consumido, e não mais na origem. Isso contribuiria para combater a chamada “guerra fiscal”, nome dado a disputa entre os estados para que empresas se instalem em seus territórios.

O texto cria uma cesta básica nacional de alimentos isenta de tributos. Pela proposta, as alíquotas previstas para os IVAs federal e estadual e municipal serão reduzidas a zero para esses produtos.

O projeto inaugura a possibilidade de criação futura, por meio de lei complementar, do chamado “cashback”. O mecanismo prevê a devolução de impostos para um público determinado com o objetivo de reduzir as desigualdades de renda.

A devolução, porém, será obrigatória no fornecimento de energia elétrica e de gás de cozinha a essa parcela da população.

A PEC ainda estabelece corte de 60% de tributos para 13 setores, como serviços de educação, medicamentos, transporte coletivo de passageiros e produtos agropecuários.

Oposição

Apesar de membros da oposição, como Ciro Nogueira (PI), um dos caciques do PP, votar a favor do requerimento de calendário especial, 24 senadores foram contra a medida.

Nogueira argumentou que a reforma “é do Congresso” e não do governo. Segundo ele, o partido tem de manter a “coerência” pois a sigla apoiou o texto na Câmara. O relator da matéria na Casa foi um deputado do PP, Aguinaldo Ribeiro (PB).

A líder do partido, Tereza Cristina (MS), liberou a bancada, porém, votou contra o pedido.

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), reconheceu nesta segunda (6) que pode haver uma negociação para viabilizar a aprovação da reforma tributária. A moeda de troca seria a derrubada dos vetos do presidente Lula (PT) ao marco temporal para demarcação de terras indígenas- o que beneficiaria a bancada ruralista e oposicionistas.

Ciro Nogueira; o líder do PL, Carlos Portinho (RJ); e o senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), afirmaram nesta terça desconhecer o acordo.

Lista dos senadores que foram contra o pedido:

  • Marcos Pontes (PL-SP)
  • Carlos Portinho (PL-RJ)
  • Carlos Viana (Podemos-MG)
  • Cleitinho (Republicanos-MG)
  • Damares Alves (Republicanos-DF)
  • Eduardo Girão (Novo-CE)
  • Esperidião Amin (PP-SC)
  • Flávio Arns (PSB-PR)
  • Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
  • Hamilton Mourão (Republicanos-RS)
  • Izalci Lucas (PSDB-DF)
  • Luiz Carlos Heinze (PP-RS)
  • Márcio Bittar (União-AC)
  • Marcos do Val (Podemos-ES)
  • Mecias de Jesus (Republicanos-RR)
  • Oriovisto Guimarães (Podemos-PR)
  • Plínio Valério (PSDB-AM)
  • Rodrigo Cunha (Podemos-AL)
  • Rogério Marinho (PL-RN)
  • Soraya Thronicke (Podemos-MS)
  • Tereza Cristina (PP-MS)
  • Wellington Fagundes (PL-MT)
  • Wilder Morais (PL-GO)
  • Zequinha Marinho (Podemos-PA)

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